sexta-feira, 1 de junho de 2012

Meus oito anos


Oh!Que saudades que tenho
Da aurora de minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor,que sonhos,que flores,
Naquelas tardes fagueiras
Á sombra das bananeiras
Á sombra dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
Respira a alma inocência
Como perfume a flor;
O mar é -lago sereno
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d´amor!
Que auroras,que sol,que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d´estrelas,
A terra de aroma cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! Meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberto o peito,
Pés descalços,braços nús
Correndo pelas campinas
Á roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos  ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar mangas,
Brincava à beira do mar:
Rezava às ave Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
Oh!Que audades que tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor,que sonhos,que flores,
Naquelas tardes fagueiras
Á sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

                                                                              Casimiro de Abreu

Ditulis Oleh : Unknown // 17:27
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