sábado, 30 de junho de 2012

Entre Aspas

 "Entre aspas escrevi o teu nome
para não esquecer o homem que um dia fui
réu condenado,pelo doce pecado
de amar-te em segredo
virei teu melhor brinquedo
mas hoje fui posto de lado
e só para não esquecer
que um dia eu e você
vivemos diversos papéis
eu escrevi o teu nome
e entre aspas o separei
só para lembrar a todo instante
que um dia foste amante
enquanto só eu te amei..."
                                                                                         Tony Caroll

Deserto


Sem você a lua morre
sem você o sol se esconde
sem você fico sem lume
pois sozinho a vida escorre
não sei dizer para onde
e o coração fica impune
pois sem luz eu me confundo
sem você fico sem mundo
então...
está tudo claro,tudo incerto
sem você,só há deserto.
                                                                                         Tony Caroll

Máscara

  Ah,como me sinto frustrado
 Com esse amor tão disfarçado
Que esconde-se por trás dessa máscara
Que nunca merece louvor
Porque quando o vento passa
Ou o sol lhe desembaça
Voa essa máscara ao chão   
E  perde esse brilho de falso amor
Misturando minha dor com uma tal desilusão.
                                                                              
                                                                                           tony caroll

Incógnita

P'ra fada madrinha
ele fez um pedido
o quê?Adivinha
ser muito sabido
quis ser humano
virou boneco de pano
pediu picadeiro
tornou-se faceiro
pediu um diploma
foi mandado p'ra Roma
queria fortuna
virou bola de espuma
pediu um talento
virou excremento
reclamou com o papa
virou coisa de napa
foi jogado no lixo
pensou que era luxo
ficou como  bicho
deu a todos um susto
agora o boneco está em frangalhos
chorando no canto virando retalhos...
                                                                                       Tony Caroll

Quando o improviso é bom para todo elenco.



                 O muito improviso continuado sem a imposição de certo limite traz o esquecimento e faz com que o ator se distancie da ideia original fazendo com que ele crie diversos personagens em uma única cena. Porém o improviso torna-se algo esplendoroso quando existe o respeito mútuo entre os atores; uma relação boa e familiar dentro do elenco. Nesse caso é boa a ideia dos atores experimentarem os personagens uns dos outros.
Partindo da ideia de que teatro é aceitação, cumplicidade, troca, admiração e inspiração mútua, compreendemos que tanto em cena como fora de cena, o rico deve aceitar o pobre, o bonito ter afinidades com o feio, o milionário sentir o gosto do lugar onde está o mendigo  e enfim, um admirar  o outro buscando essa inspiração tanto na pura essência do ser como vivendo esses personagens tão diferentes com o intuito de completar-se a si mesmo.
Quando falamos da necessidade do respeito mutuo e da boa relação familiar entre os atores não fugimos do improviso criando certa ditadura para os mesmos, mas, asseguramos o cuidado de um para com o outro no que se refere à chamada deixa.
O improviso exagerado é um passo para o exibicionismo e o exibicionismo algo que pode aniquilar uma deixa.
Existem determinados atores que tem a sua deixa como algo muito valioso para entregar ao companheiro, esses atores são vibrantes porque, tem em mente tamanha admiração pelo colega de trabalho e com imenso prazer fazem questão de trabalhar a sua deixa para ver o colega entrar em cena com muito triunfo. Esses são atores ricos em cumplicidade, pois fazem questão de passar com grande satisfação para o colega a sua oportunidade de brilhar e por isso, fazem questão de explodirem em cena antes da entrada do outro para que a sintonia do enredo não seja quebrada por um simples intervalo. Mas se esse ator é pobre na sua forma de enxergar a cumplicidade, ele não se preocupa com o outro que vai entrar em cena logo após ele e então, relaxadamente se exibe. Esse exibicionismo é resultado do egoísmo que o faz se entregar ao improviso continuado e sem razão; sem a mínima preocupação de como o outro vai lhe suceder, e sem se importar com a quebra da sintonia dentro de uma mesma cena.

                                                                                          Tony Caroll

terça-feira, 26 de junho de 2012

Eu só queria um amigo.



Eu só queria um amigo
algo que se tornou joia rara
alguém para conversar comigo
é disso o que eu preciso
em meio aos meus tantos porquês
pois, se a vida me desmascara
me traz angústia e aflição,
e o mundo se apresenta como a maior perfeição,
queria mostrar a minha cara
e abrir esse meu coração.
Pois o porquê que me arrebenta é esse cordão umbilical
é esse gosto de sal que se mistura com fel
é esse meu jeito de amar somente a quem não me ama
é deitar-me em minha cama e desejar o mel do amor
é ainda ser um sonhador, sentir o frio e o calor
e, além disso, imaginar...
que ainda vou renascer, matar para não morrer
plantar e depois colher, e lutar para viver...
É para isso que eu queria um amigo
para falar, para me ouvir
e comigo dividir esses tantos detalhes da vida
para mostrar essa lágrima contida
que já não pode escorrer pelo meu rosto
para demonstrar meu desgosto e entender a minha fraqueza
para dividir o pão, a alegria a dor e a tristeza
para falar de perdão, estar comigo à mesa
para ganhar um gesto sublime, um beijo sincero na face
uma palavra, um abraço sem preconceito ou disfarce
para obter um sorriso e também um meigo olhar
eu só queria um amigo
para compreender e amar!
                                                                                          Tony Caroll

sábado, 23 de junho de 2012

A oportunidade do improviso que dá ao ator a liberdade de mostrar a sua capacidade de interpretação, e as suas formas.



Quando dissemos que nem todo improviso contribui para a realização de um bom trabalho estamos querendo argumentar alguns princípios que devem ser levados em consideração pelo ator, principalmente aquele iniciante que às vezes levado pelo ímpeto da ansiedade acaba cometendo certos incidentes que o leva ao fracasso.
Todo espectador tem sabedoria e bom senso para acompanhar um tema que lhe é proposto pelo ator em sua interpretação. Assim, se o ator se exaspera, acaba levando o espectador a enfadar-se diante daquilo que não entende.
Dessa forma o respeito deve ser mútuo entre aquele que apresenta alguma coisa e aquele que assiste.
Toda oportunidade de improviso dá ao ator, a liberdade de mostrar a sua capacidade de interpretação; porém nem todas as formas podem lhe garantir sucesso, pois o ator que se deixa levar pela ansiedade do brilho descontrolado, estará muito propenso ao fracasso e esvaziamento de uma cena; e consequentemente o desinteresse do espectador.
O subjetivo que é a possibilidade do ator sugerir mais alguma coisa, jamais deve atropelar o objetivo daquilo que ele próprio se propõe a dizer. Assim, sempre será preciso obedecer à ideia central de um texto porque se no deslize de seu improviso ele foge dessa ideia central, estará a cada nova frase dita, sujeito a desprezar o tema principal de uma história, cansar-se na sua busca de pensamentos enquanto está em cena e, perder-se quando não saberá mais o que dizer. Isso ocorre quando o ator começa a falar sobre determinado assunto, vai juntando uma coisa a outra coisa e mesmo sem querer esquece-se do tema, da história e do personagem que está vivendo.
Devemos lembrar que:
Sempre partiremos de um ponto, uma ideia central proposta que deverá ter seu começo, meio e fim e obedecê-la.
Suponhamos que determinado autor tenha criado como ideia central de uma história “O amor” que dará toda beleza a sua obra. Este amor percorrerá todos os atos, todas as cenas e deverá estar impregnado em todos os atores do elenco, mas, se em determinado momento um ator qualquer resolve dar asas a sua imaginação e subjetivar em demasia a fala de seu personagem, fugindo do amor para falar da floresta amazônica e caindo em assuntos políticos que defendem a floresta, logo há de compreende que se empolgou tanto em mostrar-se um pouco mais que os outros, que além de fugir da ideia central proposta, também faltou com respeito ao espectador, ao autor e esqueceu-se da cumplicidade com o outro que contracenava com ele.
O ator que se entrega em demasia ao improviso acaba criando uma atividade paralela para o seu personagem, cria outra ideia dentro da história, ofusca o seu próprio trabalho além de disputar consigo mesmo.
                                                                                          Tony Caroll



Algazarra para Elizabeth.

Algazarra para Elizabeth.

Ah! Aquele trem!
Que me levou sem desdém
Para aquele final de mundo
Só para ver Elizabeth.
No peito um algoz profundo
Que comigo pintava o sete
Mas tudo valia á pena
A certeza era plena
Eu ia ver Elizabeth.
E o velho e surrado trem
Corria com vaidade
E no incansável vai-e-vem
Diminuía a saudade
Vencia os trilhos e as campinas
Fazia ventar muito mais
Não lhe importava a neblina
O cheiro dos matagais
Corria com ousadia
De quem um sonho reflete
Queria dar-me a alegria
De encontrar Elizabeth.
E eu ia embalado
Vivendo mil emoções
Sonhava aflito acordado
Contando as vis estações
E como criança inocente
Que a mesma coisa repete
Balbuciava insistente
Eu vou ver Elizabeth! Eu vou ver Elizabeth!
E de repente o apito
Que me fez soltar um grito
Rompendo o azul celeste
Estávamos no infinito
E lá estava Elizabeth. 
Os olhos arregalados
Pela lágrima atrevida
O coração solitário
Feito presidiário
Do destino e da vida
E aquela não parecia
Minha meiga Elizabeth
Que um dia fora vendida
Ao preço de uma omelete
Era um vulto de tristeza
Sem mais brilho e beleza
Não mais sabia sorrir
Mas eu estava ali
Corajoso e com garra
E no mais ditoso convite
A enfeitei de requinte
Para vivermos uma algazarra
E fizemos piquenique
Entre as murtas do caminho
Brincamos de corre-pique
Cantamos em burburinho
Tiramos folhas das plantas
Atiramos como confete
Nos vestimos de palhaços
Eu e Elizabeth!Eu e Elizabeth!Eu e Elizabeth!
E não importava o cansaço
Queríamos ir adiante
Zombar das agruras da vida
Tomar muito refrigerante
Fazer bolas de chiclete
E até apostar corrida
Com as mulas e a charrete
Naquela estrada comprida
Que resumia a vida
Entre eu e Elizabeth!
E foi uma tarde feliz
Que deixou-me apaixonado
Ao lado da flor-de-lis
Tornei-me realizado
Mas tudo durou tão pouco
Pois a noite trouxe o sufoco
E consigo aquele trem
Que recebi com desdém
Quando se aproximou
Obrigando-me a entrar
Pois logo me angustiou
Com o estridente apitar
E com a rotina que sempre repete
Deu partida e lá deixou
Minha irmã Elizabeth!

                                                                                          Tony Caroll

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Um Sonho Vencido.


Uma carta de Amor.


                                 Meu amor!

                                                                                            Hoje, por mais que procurasse palavras para intitular esta carta, não consegui me desvencilhar da ideia dos sonhos; sonhos que construí para você, e porque não dizer para nós?Porém diante da impossibilidade do nosso amor, também não consegui me desvencilhar da certeza de que, por diversas razões fui vencido nas inúmeras tentativas de lhe assegurar o que verdadeiramente sinto. 
                                     Assim resolvi intitular tudo o que imaginei como “um sonho vencido”, porque foi sonhando com o teu amor que, Eu pensei ver brilhar uma luz na imensa escuridão que havia em minha volta. 
                                    Achei que a minha direção seria o amor... O teu amor! Pensei plantar, regar, ver a semente brotar e imaginei ver o sorriso de tanta gente irradiando felicidade pelo nosso amor, mas, aquela semente que para mim era tão preciosa foi sufocada, deformando-se em si mesma e, aos poucos fui me desesperando, até perder a razão...
                          Tornei-me um louco, perdido com os pensamentos meus; chamei a Deus,gemi,chorei e, mesmo assim lutei com todas as forças para lhe dar o que você não queria mais... O meu amor...
                        Hoje estou só, sem você, sem o sonho. Apenas com esse nó na garganta que, me dá a certeza do que já sei: "Perdi tudo, eu me perdi porque muito te amei.”.

                                                     
                                                                                      Tony Caroll.

Minha Infância numa biblioteca de barro.


 Antonio Carolino Bezerra Nasceu na cidade de Nilópolis RJ.
Ainda na infância começou a escrever pequenos versos onde o sonho de ser escritor aflorou desde então. O jeito muito tímido e a forma destacada das brincadeiras de menino sempre o levaram a ser um aluno comportado em sala de aula e muito observado pelos professores que ao final de cada ano letivo lhe presenteavam com livros e enciclopédias em razão de seu apego a leitura. Sempre admirado pelos colegas e amigo de todos, era considerado muito inteligente e isso às vezes o incomodava. Tentando dar asas a sua imaginação, um dia com a ajuda do irmão que mais tarde se tornou pedreiro profissional, construiu uma casinha de pedras e barro molhado e dentro dela acomodou todos os seus livros e gibis; e assiduamente todos os dias a visitava onde ficava horas a fio lendo e relendo histórias naquele lugar que chamava de sua biblioteca.
Entre os seus livros preferidos estava a cartilha “pompom meu gatinho” de Thereza Neves da Fonseca. Livro esse que lhe fez apaixonar-se pela leitura e imaginar-se personagem de algumas histórias. E entre suas histórias preferidas estava uma em que uma senhora de nome Rita, apavorada subia numa cadeira com medo de uma barata. E os personagens que marcaram a sua infância não podiam deixar de ser, Olavo, Moema e Diva os quais apresentavam toda cartilha.
                                                                                          Tony Caroll

 

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